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Monografia de ALINE CRISTIANE HIRT para obtenção do título de Bacharel em Enfermagem.
Título da Monografia:
“O REIKI COMO UMA FORMA DE CUIDADO TRANSDIMENSIONAL DENTRO DA ENFERMAGEM
Trabalho de conclusão de curso apresentado como pré-requisito a obtenção do Grau de Bacharel de Enfermagem
Sociedade Educacional Três de Maio - SETREM
Faculdade Três de Maio
Departamento de Ciências da Saúde
Curso de Bacharelado em Enfermagem
Orientadora: Ms. Rosane Maria Dembogurski
Professora Co-orientadora: Ms. Beatriz de Carvalho Cavalheiro
Três de Maio
2010
Dedico este trabalho, com amor e gratidão a todas as pessoas que acreditam que a ciência e a filosofia devem andar juntas, e que o Amor é um instrumento muito importante no processo de cuidado e cura. E, por fim, a todos aqueles que procuram plenitude, amor e conexão.AGRADECIMENTOS
Sou uma pessoa de sorte, vivo cercada de pessoas maravilhosas sem as quais nada teria sentido e nada teria acontecido. Hoje acredito que é preciso nomeá-las e espero não estar cometendo a injustiça de deixar alguém importante para trás. Meu sincero reconhecimento:
A Deus que me permitiu ser um canal de luz divina e cura para as pessoas;
Aos meus mestres espirituais que me acompanham e guiam em todos os momentos e lugares;
A minha família pelo amor e por tudo que fizeram por mim até hoje, em especial a minha mãe, Irone Jost Hirt, por seu amor e dedicação incondicionais. Uma pessoa verdadeiramente especial, que consegue me amar, apoiar e entender minhas “esquisitices”. Sem a sua ajuda nada na minha vida teria acontecido. Te amo!!!
A minha sobrinha/afilhada, Valentina Sholze, por me fazer acreditar na força do amor e através disso ter me dado forças para permanecer este período da minha vida em Horizontina. Obrigada por existir e encher a minha vida de amor;
A minha Mestre e amiga, Rosane Maria Dembogurski, que me abriu as portas para o ingresso na Terapia Reikiana e me encorajou na decisão da temática;
A minha co-orientadora e amiga, Enfermeira Mestre Beatriz de Carvalho Cavalheiro, pela paciência, competência, compreensão, parceria, idéias e entusiasmo em nossos encontros e por acreditar neste trabalho;
Aos meus amigos pela amizade e parceria, sem vocês nada teria sentido, obrigada por fazerem parte da minha hiostória, em especial a minha querida amiga, Djenane Marcieli Gregório, pelo carinho, parceria e cumplicidade no caminho do Reiki, e na construção desta pesquisa;
Ao coordenador do curso de Bacharelado em Enfermagem, Enfermeiro Mestre Gilberto Souto Caramão, pelo incentivo e apoio em seguir adiante com este tema, quando outros não acreditaram ou mesmo acenaram com essa possibilidade.
Oração dos Profissionais de Saúde
Oh! Deus, que através da minha profissão, me colocastes em contato com esses seres carentes de saúde, compreensão, tolerância e bondade; possa eu, através do meu Amor, suprir suas necessidades.
Que meus problemas particulares,meu cansaço e desânimo, sejam colocados de lado ao me aproximar deles, para serví-los sem interferência de nenhuma paixão e nenhum obstáculo.
Possa eu, a cada dia, exercer minha profissão com a lembrança dos propósitos e ideais sentidos e jurados no dia de minha formatura. E que, além de administrar os remédios para a cura do corpo físico, que eu supra com minha dedicação e boa vontade, o Amor que estimula a alma e faz o corpo doente reagir.
Que através de respirações profundas, eu vitalize o meu corpo e que este, transborde em energia vital, para que eu possa repartí-la com todos aqueles sob os meus cuidados.
Se ainda assim, meus esforços forem em vão, fortalece-me, para também aceitar as perdas, pois minha compreensão é pequena demais ante teus desígnios. E que acima de tudo, eu seja perseverante no cumprimento das metas diárias, para alcançar meu ideal: o de ajudar, da melhor maneira, meus semelhantes. Assim seja.
AmoríferRESUMO
Sabe-se que o profissional Enfermeiro pode dispor de diversos recursos para aproveitar o potencial terapêutico gerado pelo cuidado, incluindo métodos não tradicionais, como as Terapias Alternativas/Complementares (TACs) de saúde. Tem sido crescente a adesão a essas terapias, numa época de crises existenciais e busca pelo transcendental, na qual o profissional Enfermeiro pode sensibilizar-se a produzir alternativas de cuidado superiores ao modelo biológico, objetivando abrir uma porta para o cuidado alternativo reikiano na Enfermagem e embasado na Terapia do Cuidado Transdimensional (TCT) é que este trabalho, de natureza qualitativa, do tipo exploratório-descritiva, foi construído. A pesquisa foi realizada através de uma entrevista semi-estruturada com sete usuários de Reiki que já haviam se submetido, no mínimo, a seis sessões e, segundo os propostos éticos da resolução 196/96 que regulamenta a pesquisa com seres humanos. A análise ocorreu através da análise de conteúdo temática conforme Minayo (2004). Um dos principais desafios deste estudo foi identificar os benefícios sentidos com a prática de Reiki e como isso ocorreu. Conclui-se que as TACs já são uma realidade e, dentre elas o Reiki. Entende-se que todas as possibilidades terapêuticas devem ser experimentadas e estimuladas desde que sejam respeitadas a ética e a legalidade profissional. O aumento do número de trabalhadores da saúde interessados em conhecer e praticar as TACs e o aumento do número de pessoas leigas interessadas demonstra a importância que esses métodos estão alcançando. A principal importância deles está, provavelmente, na melhoria da qualidade e da humanização, sem falar na redução de custos ao sistema de saúde. A pesquisa mostra motivos diversos para a busca do Reiki, mas também que todas as pessoas já haviam trilhado os caminhos de ajudas tradicionais. Mostra também, que o recebimento do toque terapêutico é de fácil execução e sem custos, que relaxa e harmoniza quem o procura. Por fim, a pesquisa revela o estado de plenitude que os clientes atingem após as sessões, pode melhorar o lado espiritual e agilizar os processos de cura. Este trabalho deseja romper com a idéia pré-concebida de que o bom profissional da saúde é aquele que propõe intervenções e prescreve medicamentos, bem como mudar o imaginário cultural de que as TACs devem ser um dos últimos recursos a serem utilizados, pois, na verdade elas são terapêuticas de cuidado contínuo e que valorizam a singularidade dos sujeitos e devem caminhar junto com outras terapias e mesmo individualmente.
Palavras-chave: Toque terapêutico; Cuidado; Terapias Alternativas; Enfermagem.
ABSTRACT
It’s known that the Professional nurse can have many resources to use the therapeutic potential generated by the care, including non-traditional methods such as health alternative/complementary therapies (ACTs). The adherence to this therapies has been growing in a time of existencial crisis and search for the transcedental, where the professional nurse can build alternatives of care that overcome the biological model. Aiming to open a door for an alternative care in nursing using Reiki, based on the Transdimensional Care Therapy (TCT) is that this qualitative study, of exploratory and descriptive type, was built. The survey was conducted through a semi-structured interview with seven users of Reiki that had been submitted at least six sessions and, according to the proposed ethical of the resolution 196/96 which refers to the human beings surveys. The analysis was made through thematic content analysis, according to Minayo (2004). The main challenge of this study was to identify the benefits experienced with the practice of Reiki and how it occurred. We conclude that the ACTs are already a reality and, among them Reiki. It is understood that all therapeutic possibilities must be tasted and encouraged, if the ethics and professional legality are respected. The increased number of health workers interested in learning and practicing the ACTs and the increasing number of people that are seeking this kind of therapy, show the importance that these methods are reaching. The main importance of them is, probably, to improve the quality of care and humanization, not to mention the reduction of costs to the health system. The research shows many reasons to search for Reiki, but also that all people had already sought traditional forms of aid. It also shows that the therapeutic touch is easy to receive and with no costs, it relaxes and harmonizes who seek for it. Finally, the research reveals the condition of fullness that customers reach after the sessions, improving the spiritual and accelerating the healing process. This paper seeks to break with the preconceived idea that good health professional is the one that proposes interventions and prescribes medicines as well as changing cultural imagination that the ACTs should be one of the latest forms of treatment to be used, because this therapies are of continuing care and it values the individuals uniqueness and must go along with other therapies or even individually.
Keywords: Therapeutic Touch; Care; Alternative Therapies; Nursing.
LISTA DE FIGURAS/TABELAS
Figura 1: Cronograma da pesquisa………………………………………………………………….23
Figura 2: Localização dos Chakras………………………………………………………………….36
Figura 3: Relacionando os Chakras às Funções correspondentes………………….36-39
Figura 4: Perfil dos Entrevistados…………………………………………………………………….48
LISTA DE SIGLAS/ABREVIATURAS
COFEN – Conselho Federal de Enfermagem
COREN – Conselho Regional de Enfermagem
ESF – Estratégia de Saúde da Família
OMS – Organização Mundial da Saúde
RS – Rio Grande do Sul
SETREM – Sociedade Educacional Três de Maio
SUS – Sistema Único de Saúde
TAC – Terapia Alternativa/Complementar
TCT – Teoria do Cuidado Transdimensional
UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina
INTRODUÇÃO
É tempo de grandes mudanças. Os serviços de saúde e seus trabalhadores também devem mudar. As informações, as técnicas, a economia, os relacionamentos e forças espirituais estão mostrando um novo caminho para profissionais e instituições tratarem seus clientes e modificarem seus cuidados. Em tudo isso é necessário visualizar a importância dos relacionamentos humanos e do cuidado com o outro, pois é através deste que os sentimentos, preocupações e os próprios tratamentos devem fluir.
Esse Trabalho de Conclusão de Curso – TCC, requisito para a conclusão do Curso Bacharelado em Enfermagem da Faculdade Três de Maio – SETREM, foi realizado em uma cidade do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, com usuários de Reiki que fizeram pelo menos seis sessões desta terapia, através de uma entrevista semi-estruturada com questões abertas e fechadas elaborado pela autora da pesquisa, realizado conforme a Resolução nº 196/96 que regulamenta a pesquisa com seres humanos.
O desenvolvimento deste trabalho surgiu de indagações acerca de experiências vividas após os estágios curriculares onde foi possível observar o desconhecimento ou pouco uso que os trabalhadores da saúde fazem das práticas alternativas, mesmo daquelas já reconhecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como terapêuticas. A pesquisa foi desenvolvida com o objetivo de avaliar e identificar os benefícios sentidos pelos usuários de Reiki como uma terapia alternativa, bem como divulgar esta como uma forma de tratamento holístico, de possível e simples uso.
Na antiguidade saúde era definida pelo perfeito equilíbrio entre homem e natureza. Assim foi até a idade média, quando os dogmas do catolicismo passaram a responsabilizar o homem e seu comportamento pelas doenças. O renascentismo trouxe a adoção do paradigma mecanicista cartesiano para a explicação do processo saúde-doença. A luz do século XX, Einstein e suas teorias demonstraram a matéria como uma manifestação de energia e, consequentemente, os homens como seres energéticos que se relacionam entre si e com o meio buscando sempre a harmonia (TROVO; SILVA; LEÃO, 2003).
Hoje, vêm ocorrendo uma redefinição da divisão corpo e alma e, consequentemente, da divisão relativa ao trabalho de cura dos mesmos. Com essa visão de que não existe mente sem espírito é que a medicina vibracional vem atuando e, comprovando que reequilibrar os campos de energia auxilia o organismo a regular a fisiologia celular (BORDIEU, 1987).
Corpo e espírito (espírito no sentido de psique ou alma) são uma unidade, e não se pode providenciar saúde plena e holística se uma das partes for excluída. Além da ausência de sintomas de doença, saúde plena e holística significa um desejo contínuo e permanente do indivíduo para curar-se e crescer como pessoa e ser humano.
As terapias alternativas são um campo ainda novo para os profissionais da área da saúde, principalmente para os Enfermeiros, porém, parte dos paradigmas que foram adquiridos com o passar dos anos, devem ser ajustados aos padrões da assistência prestada aos clientes e, principalmente, assumidos como parte da assistência. As terapias alternativas como o Reiki podem ser utilizadas em conjunto com a medicina alopática, pois a primeira apóia a terapêutica da segunda, apoiando o corpo no sentido de harmonizá-lo, reforçando suas funções.
Saúde não é um estado inalterado e fixo. Estagnação, apego a coisas e pessoas, significa parar no caminho evolutivo, adoecer primeiro em nível emocional-mental e, posteriormente, em nível físico. Saúde é quando o indivíduo é capaz de responder às exigências da vida, enfrentando os desafios sem precisar proteger-se de sofrimento ganhando flexibilidade, versatilidade e habilidade para praticar a “Arte de Viver” (grifo da autora).
A utilização de técnicas terapêuticas alternativas é uma realidade cada vez mais constante e a Enfermagem necessita capacitar-se para este atendimento. A Enfermeira com visão holística, associada às praticas complementares, exerce um papel fundamental, além de demonstrar autonomia profissional e competência, principalmente na rede básica de saúde.
Para fins didáticos, este trabalho encontra-se dividido em quatro capítulos. O primeiro capítulo traz o caminho metodológico percorrido, o segundo, o aporte teórico intitulado visando novas formas de cuidado. O capítulo três refere-se à Teoria do Cuidado Transdimensional (TCT) e o quatro a análise e discussão dos dados obtidos.
Capítulo 1: Caminho Metodológico Percorrido
1.1 TEMA
Terapia Alternativa: Reiki.
O tema delimitado para este estudo foi identificar e analisar os benefícios sentidos com a prática do Reiki, mostrando como ele funciona, age e os seus princípios. Os sujeitos do estudo foram pessoas que receberam pelo menos seis sessões de Reiki. O trabalho realizou-se no segundo semestre do ano de 2010.
Em um mundo que prima, ainda, pelas técnicas em detrimento da humanização, urge a necessidade de explorar caminhos holísticos alternativos, a serem utilizados na arte do cuidar, que aliado a todo aparato tecnológico otimize os resultados, trazendo mais saúde e qualidade devida a uma população tão carente destes bens.
A presente pesquisa está centrada na identificação e análise dos benefícios sentidos com a prática de Reiki, segundo perspectivas de usuários, no sentido de pesquisar e abrir portas a alternativas viáveis, eficazes e de baixo custo que melhorem o cuidado de Enfermagem e também todas as terapias, inclusive as alopáticas, quando usados em associação a esta.
O interesse por este tema alicerça-se na vida acadêmica da autora do estudo, que durante a graduação sempre buscou conhecer formas de tratamentos alternativos, por conhecer os malefícios dos efeitos adversos causados pelo uso abusivo de medicamentos e por acreditar na importância do toque terapêutico e, nas trocas de energia como formas de tratar os pacientes como um todo. A partir disso, despertou-lhe interesse para o aprofundamento das discussões sobre este assunto, escolhendo-o como tema para o seu trabalho de conclusão de curso.
Diante do exposto, o principal desafio deste estudo é dar a resposta à seguinte indagação: quais são os benefícios sentidos com a prática de Reiki?
1.4 HIPÓTESES
Os usuários se sentem relaxados, aliviados e menos estressados durante a aplicação do Reiki. Também é possível observar alívio da depressão e da ansiedade, bem como de dores agudas e crônicas.
Foram entrevistados usuários que realizaram um tratamento de no mínimo seis sessões de Reiki.
A pesquisa foi realizada em uma cidade da Região Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul.
Foram realizadas entrevistas semi-estruturadas com questões abertas e fechadas.
Identificar e analisar os benefícios sentidos com a prática de Reiki.
a) Conhecer a história do Reiki, como e onde surgiu;
b) investigar sobre a prática de Reiki como uma terapia alternativa na cidade pesquisada;
c) divulgar o Reiki para os futuros profissionais Enfermeiros;
d) traçar um perfil dos entrevistados.
O presente estudo surgiu das observações durante as práticas acadêmicas do curso aliados a experiências de vida. O interesse pela temática se alicerça na experiência de vida da pesquisadora que sempre buscou conhecer formas de tratamentos alternativos, por entender os potenciais malefícios do uso abusivo de medicamentos alopáticos, tão comumente usados pela medicina tradicional e, também, por acreditar na importância do toque terapêutico e, nas trocas de energia como formas de tratar os pacientes como um todo.
Nos dias de hoje, não se pode falar de doença sem se pensar na totalidade do ser (visão holística) e muito menos sem se considerar as interações energéticas internas e externas. A existência de campos vibracionais sutis é hoje modelo de dinâmica interativa, nas mais diversas pesquisas mundiais.
Sabe-se que o profissional Enfermeiro pode dispor de diversos recursos para aproveitar o potencial terapêutico gerado pelo cuidado, incluindo métodos não tradicionais, como as terapias alternativas de saúde. Tem sido crescente a adesão a essas terapias, numa época de crises existenciais e busca pelo transcendental, onde o profissional Enfermeiro sensibilizou-se e almejou construir uma alternativa de cuidado superior ao modelo biológico, apropriado para suprir as necessidades holísticas do ser humano (SARAIVA; XIMENES, 2004, p. 45).
A essência da terapia alternativa, relacionada à assistência de Enfermagem, diz respeito ao discurso que é formado e formatado durante décadas sobre o cuidar, e a importância da visão holística dos seres no processo do cuidar e na saúde-doença.
O Reiki é um dos destaques na busca por terapias alternativas, pois além de auxiliar no tratamento do estresse, da depressão e da ansiedade, está relacionado, também a ativação das glândulas, dos órgãos, do sistema nervoso e imunológico. Neste sentido busca-se identificar e analisar os benefícios sentidos com a prática de Reiki, como uma forma possível de otimização dos tratamentos em saúde.
1.7 CAMINHO METODOLÓGICO
A metodologia pode ser definida como um conjunto de técnicas que possibilita, segundo Minayo; Nunes, (2007), “a apreensão da realidade empírica articulada com teoria e criatividade. Pesquisa é uma ciência com a intenção de desvendar a realidade” (p. 57).
A pesquisa é definida como um procedimento racional e sistemático que tem como objetivo proporcionar respostas aos problemas que são propostos, segundo Gil (2008) “a pesquisa é requerida quando não se dispõem de informações suficientes para responder ao problema” (p. 24). Esta foi uma pesquisa exploratório descritiva com abordagem qualitativa, buscando conhecer os benefícios sentidos com a prática de Reiki
Minayo (2004a) diz que:
a abordagem qualitativa aprofunda-se no mundo dos significados das ações humanas, um lado não perceptível e não captável em equações, medias e estatísticas. O conjunto de dados quantitativos, porém, não se opõem. Ao contrário, se complementam, pois a realidade abrangida por eles interage dinamicamente, excluindo qualquer dicotomia (p. 22).
Segundo Polit; Beck; Hungler (2004) se realiza estudos exploratórios “quando uma nova área ou tópico está sendo investigado e os métodos qualitativos são especialmente úteis para a exploração de fenômenos pouco entendidos”. Já a pesquisa qualitativa exploratória “destina-se a descrever as várias maneiras pelas quais um fenômeno se manifesta, assim como os processos subjacentes” (p. 34).
Para Gil (2008) “a pesquisa descritiva tem como objetivo primordial a descrição das características de uma determinada população ou fenômeno, estabelecido de relação entre variáveis” (p. 42). Salientam-se aquelas que têm por objetivo estudar as características de um grupo.
O local da pesquisa foi uma cidade da Região Noroestdo Estado do Rio Grande do Sul. O estudo foi realizado no segundo período do ano de 2010.
A coleta de dados deu-se por meio de uma entrevista semi-estruturada com perguntas abertas e fechadas, conforme é possível observar no Apêndice A. Para Minayo (2004b), a entrevista privilegia a obtenção de informações através da fala individual, a qual revela condições estruturais, sistemas de valores, normas e símbolos e transmite, através de um porta-voz, representações de determinados grupos.
Optou-se pela entrevista semi-estruturada, na qual o informante tem a possibilidade de discorrer sobre suas experiências, a partir do foco principal proposto pela pesquisadora ao mesmo tempo que permite respostas livres e espontâneas do informante, valoriza a atuação do entrevistador. As questões elaboradas para a entrevista levaram em conta o embasamento teórico da investigação e as informações que a pesquisadora recolheu sobre o fenômeno social (TRIVIÑOS, 1987).
A entrevista foi composta por duas partes: I. delineando o perfil do entrevistado (sexo, idade, escolaridade, profissão, renda mensal e religião), e II. quatro questões coerentes com o objeto de estudo, a finalidade e os objetivos da pesquisa em que se buscou conhecer: Como o entrevistado ficou sabendo sobre a terapia alternativa Reiki, o que o levou a procurar esse tipo de tratamento, quais os sentimentos e sensações durante a aplicação e quais foram os benefícios adquiridos após o fim do tratamento com o Reiki.
A análise de dados realizou-se através da análise de conteúdo temática proposta por Minayo (2004), “que compreende a pré-análise, exploração do material, tratamento e interpretação dos dados obtidos” (p. 54). Os dados foram analisados através da teoria do cuidado transdimensional (SILVA, 1997). Para a apresentação dos resultados, foram criadas categorias temáticas.
A pesquisa foi desenvolvida dentro das normas contidas na Resolução 196/96, do Conselho Nacional de Saúde, do Ministério da Saúde, que dispõe sobre as diretrizes legais da pesquisa que envolve seres humanos. A referida resolução visa assegurar os direitos e deveres que dizem respeito à comunidade científica, aos sujeitos da pesquisa e ao Estado.
Foi aplicado o Termo de Consentimento Livre e Informado (Apêndice B) a cada participante do estudo. Cada participante recebeu para leitura o termo de consentimento em duas vias, permanecendo uma via de posse com o pesquisado e outra com o pesquisador.
A população da pesquisa foi composta por usuários da terapia Reiki como uma forma de tratamento alternativo na cidade em questão, que aceitaram participar voluntariamente da pesquisa e que realizaram um tratamento de no mínimo seis sessões de Reiki.
O tamanho da amostra foi definido pelo princípio de saturação dos dados, que para Polit; Beck; Hungler (2004) significa “amostrar até o ponto em que não é obtida nenhuma informação nova e é atingida a redundância” (p. 237).
Aura: campo de luz que envolve e penetra em todos os seres animados e inanimados e que pode sofrer alterações em sua cor, brilho, forma e densidade, de acordo com a situação que se apresenta em determinado momento (criado pela autora do projeto).
Chakras: centros de energia localizados na mesma região das glândulas endócrinas no organismo, esses centros recolhem energia sutil, transformam-na e a fornecem ao corpo (HONERVOGT, 1998).
Cuidado: processo, modo de se relacionar com alguém que envolve desenvolvimento e provoca profunda e qualitativa transformação (WALDOW, 2004).
Enfermagem: profissão científica e humanística, focalizada no fenômeno do cuidado humano (LEOPARDI, 1999).
Holísticos: práticas corporais alternativas que incluem uma visão global e unitária dos seres, procurando reintegrar corpo e mente, físico e psicológico, material e espiritual e homem e natureza, de modo a superar as categorias cartesianas de entendimento e explicação da realidade (ALBUQUERQUE, 2001).
Humanização: mudança de atitude em relação à equipe prestadora dos cuidados e que implica em acolhimento, apoio, escuta e decisões compartilhadas (DOSSIÊ DE HUMANIZAÇÃO DO PARTO, 2002).
Medicalização: modelo biomédico dominante na área da saúde e cada vez mais aplicado em outras esferas da vida (DOSSIÊ DE HUMANIZAÇÃO DO PARTO, 2002).
Reiki: técnica de cura por imposição das mãos, onde uma pessoa transfere Energia Vital Universal para outra, através das mãos, com objetivos de cura (HONERVOGT, 2006).
Terapêutica: crenças e mitos com os quais o homem busca a cura e prevenção de doenças (FUCHS; WANNMACHER, 1998).
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2010 2009 |
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Fonte: Hirt; Dembogurski; Cavalheiro, 2010.
Figura 1: Cronograma de Pesquisa.
CAPÍTULO 2: VISANDO NOVAS FORMAS DE CUIDADO
“O que virá depois, realmente não sei, mas sei que serei guiada a cada passo do caminho” (BRENNAN, 1987).
Antes de Descartes, a maioria dos terapeutas tratava seus clientes observando as interações entre corpo e alma dentro de um contexto social e levando em conta o meio ambiente, ou seja, dentro da sua integralidade. O advento da filosofia de Descartes, o método Cartesiano, separou esta díade, o corpo passa a ser a centralidade do processo, o organismo é uma máquina e uma única causa pode ser a responsável por todo o desequilíbrio corpóreo. A saúde passa a ser vista como a ausência de doença e desse princípio advém as diversas especializações médicas (CAPRA, 2006).
Também o caminho da alopatia é separar, dividir o ser humano em diversos segmentos e trata mais os sintomas do que as raízes dos problemas de saúde. O caminho das terapias alternativas/complementares (TACs) é holístico, dando-lhe oportunidade de tratar o ser humano em todos os aspectos, sem divisão, sem diagnóstico e sem intervenção externa.
A natureza essencial dos seres humanos não pode ser reduzida nem ao corpo físico nem a energia, mas ela pode ser percebida sobre o aspecto do corpo (forma densa/partícula) como sob o aspecto de energia (forma sutil/onda) […] porque todos os dois aspectos são expressões da mesma essência (SILVA, 1997, p. 102).
Os seres humanos são parte integrantes de um sistema ordenado e, portanto, podem ser vistos de forma holística em suas múltiplas dimensões, ou seja, cultura, política, mente, espírito, físico, sociedade e ambiente (CAPRA, 2006).
2.1 ANTROPOLOGIA DA SAÚDE E CULTURA
A antropologia trata das formas com as quais diferentes pessoas, em diferentes culturas e grupos sociais, buscam as causas dos problemas que afetam a sua saúde. Também se relaciona aos diferentes tratamentos nos quais as pessoas acreditam e recorrem. Seu objetivo principal é o estudo holístico da humanidade (HELMAN, 2003).
A cultura pode ser vista como um meio pelo qual os indivíduos organizam e legitimam a sociedade, fornecendo base para a organização social, política e econômica. Um todo complexo que inclui o conhecimento, a arte, a moral, a lei e os costumes, todos os hábitos humanos adquiridos em sociedade (HELMAN, 2003).
A cultura é dinâmica e heterogênea. A doença é uma experiência singular, portanto, se pode constatar que o modelo biomédico de atenção é apenas uma entre várias terapêuticas que podem ser instituídas. Nesse sentido Kleinman (1988) fez uma distinção entre patologia e enfermidade, destacando que a última, engloba a percepção de cada indivíduo frente ao seu adoecer, gerando uma dissincronia entre as duas visões.
Nesse sentido, ainda pode ser observado que saúde, enfermidade e cuidado compõem partes de um sistema cultural, pois cada cultura tem a sua própria representação de doença e, portanto, respostas diferenciadas a esta experiência, todas interconectadas a concepção de cuidado (BABENKO, 2004).
Para Kleinman (1980) existem três setores de cuidados à saúde: o popular, o oficial ou profissional e o tradicional. É no setor tradicional que estão incluídas as práticas de saúde ainda consideradas não científicas, como o uso de algumas TACs.
Em cada um dos setores citados acima existem diferentes tipos de modelos para explicar a causa das doenças, sintomas, desenrolar e tratamento. Estas explicações são construções sociais e necessitam, portanto, serem negociadas individualmente durante o processo de cura (BABENKO, 2004).
A medicalização provavelmente dificulte a resolução de problemas biomédicos, quando se desconsidera a experiência subjetiva individual dos usuários do sistema de saúde do setor oficial e, acaba também desconsiderando, algumas vezes, os setores tradicionais classificando-os como charlatanismo.
2.2 AS TERAPIAS ALTERNATIVAS/COMPLEMENTARES (TACs)
As TACs são compreendidas como as técnicas que visam a assistência integral a saúde das pessoas, nos diversos níveis de atenção. Nelas, os indivíduos são considerados como mente, corpo e alma e não apenas um conjunto de partes separadas.
Capra (2006) refere à indissociação entre corpo e mente. Uma forma de visão sistêmica da vida, o que corresponde a abordagem holística da saúde e da cura, bem como a integração da visão ocidental e oriental da psicoterapia, dentro de uma perspectiva ecológica e feminista, espiritual e essencial em sua natureza, que levarão a profundas mudanças nas nossas estruturas.
O objetivo das TACs é diferente do da medicina alopática ocidental onde a cura da doença ocorre através da intervenção direta ao órgão afetado. As TACs buscam harmonizar o equilíbrio do corpo. Elas podem ser agrupadas em: terapias físicas, hidroterapia, fitoterapia, nutrição alternativa, ondas, radiações, vibrações e terapias mentais e espirituais, neste último grupo encontra-se o Reiki (TROVO; SILVA; LEÃO, 2003).
As TACs vêm no sentido de contribuir de forma positiva nas ações preventivas e curativas, proporcionando também, benefícios ao serviço de saúde devido a sua simplicidade e baixo custo. Existe a necessidade da adoção de práticas resolutivas e adequadas, que estimulem diferentes terapêuticas, principalmente as que se comprometam com o sujeito e seu coletivo em um aspecto multidimensional (BRASIL, 2004).
Piva (2005) destaca que infelizmente existem muitas pessoas sem o devido conhecimento e qualificação sobre as TACs, as utilizando apenas de forma comercial e prejudicando a confiança das pessoas, portanto, é importante e necessário informar os usuários sobre a fiscalização das práticas e os cuidados a serem considerados quando da busca destas terapêuticas.
A Enfermagem é uma das poucas profissões que tem sustentação e amparo legal nas TACs, isso pode ser observado através de algumas resoluções do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN).
A resolução 197 de 19 de Março de 1997 (Anexo I) do COFEN dispõe que as TACs “são práticas oriundas, em sua maioria, de culturas orientais, onde são exercidas ou executadas por práticos treinados assistematicamente e repassados de geração em geração não estando vinculados a qualquer categoria profissional”, portanto, as TACs podem ser reconhecidas como especialidades da Enfermagem.
O parecer informativo 004/95 do COFEN reconhece a Enfermagem como uma profissão embasada na visão holística do ser humano. A partir da resolução 197 do COFEN o enfermeiro passa a ser reconhecido como terapeuta alternativo/complementar, desde que, conclua uma especialização reconhecida oficialmente e de no mínimo 360 horas.
A resolução 261 de 12 de Julho de 2001 (Anexo II) do COFEN, considera a importância da normatização do registro do enfermeiro com título de pós-graduado em alguma das TACs no sistema COFEN/Conselho Regional de Enfermagem (COREN).
Também a resolução 271 de 12 de Julho de 2002 (Anexo III) do COFEN indica os limites legais para as práticas das ações naturais dentro dos programas de saúde pública e rotinas prévias, o que é de grande importância, pois dentro das práticas naturais podem ser incluídas as consultas, prescrições de medicamentos e requisições de exames.
2.3 A ENFERMAGEM E AS TACS
O fundamento básico da Enfermagem é o cuidar, portanto, é preciso redirecionar este cuidado, mudando pensamentos, valores e crenças, deixando um pouco de lado o aparato tecnológico e focando no holismo.
É necessário que novos saberes e conhecimentos que não foram tradicionalmente incorporados na formação profissional dos Enfermeiros possam ser incluídos, reconhecendo o conhecimento popular, ampliando a visão do que é ser saudável e assim, atendendo as necessidades da população de forma integral, visto até então o despreparo dos trabalhadores de saúde frente ao subjetivismo dos seres humanos. Surgem as práticas naturais como uma forma de contribuição ao cuidado de Enfermagem.
A Enfermagem, desde sempre, utiliza-se de conhecimentos científicos e de outras terapêuticas, simples e eficazes, a fim de responder ao seu postulado básico que é a arte do cuidar. Assim, converge com a natureza do ser e reconhece a força universal vital, tratando esta de uma forma tão importante quanto o aspecto orgânico do corpo. Portanto, os enfermeiros deveriam estar atentos, receptivos e conscientes da importância de todas as terapias, pois tudo tem seu lugar, seu momento e a aplicação correta, desde que sejam observadas as adequações necessárias (GEOVANINI, 2005).
A Enfermagem vem se interessando por novas concepções de saúde, principalmente no que tange ao cuidado holístico. O conhecimento de terapias não alopáticas é uma porta que se abre no sentido da humanização do cuidado, são novas estratégias que surgem diante das falhas do sistema de saúde.
Aliada às práticas terapêuticas alternativas existe o vínculo do profissional enfermeiro com a comunidade, possibilitando a construção de redes de apoio social (SARAIVA; FERREIRA FILHA; DIAS, 2008). Os trabalhadores da Enfermagem podem dispor de recursos com a finalidade de aproveitar o potencial terapêutico gerado pelo cuidado, onde incluem-se as TACs.
Um estudo realizado no ano de 2003 na cidade de Santo Amaro (São Paulo) demonstrou que 89% dos enfermeiros pesquisados acreditavam nas TACs, porém apenas 22,2% tinham conhecimento da legalidade delas e, só 5,5% tinham alguma capacitação na área. Ainda 44,4% se auto-aplicavam e 11% aplicavam nos pacientes. Este estudo demonstra a necessidade de busca de novos saberes, ampliando o horizonte terapêutico (NUNEZ; CIOSAK, 2003).
A enfermeira, em seu foco de ação, ou seja, o cuidado humano de forma holística, não pode e não deve ficar à margem do conhecimento e uso terapêutico das TACs.
Entre as TACs, vem aumentando consideravelmente a procura pelo Reiki, o que leva a acreditar que a Enfermagem deva considerar o uso dessa terapia como alternativa possível e, portanto, instrumentalizar-se melhor a respeito dela.
2.4 VISÃO HISTÓRICO-CIENTÍFICA SOBRE O CAMPO DE ENERGIA HUMANO (CEH)
Segundo estudos de Brennam (1987) o desenvolvimento de estudos científicos sobre o CEH se deu da seguinte forma:
Newton, no século XVII, descreveu o universo composto por átomos que ele supunha serem formados de objetos sólidos. Ele também descreveu com êxito o movimento dos planetas, das máquinas e dos fluídos em constante movimento. Tudo isso levou os físicos a acreditarem que o Universo era apenas um imenso sistema mecânico e todas as reações físicas tinham uma causa física.
Ao raiar do século XIX, novas descobertas demonstraram um conceito de campo (condição do espaço capaz de produzir uma força). Faraday e Clerk Maxwell então revelaram um Universo cheio de campos criadores de forças em constante interação. No início do século XX, Enstein publicou a teoria da relatividade revelando que o espaço não é tridimensional e o tempo não é uma entidade separada.
Ainda no século XIX, Von Reichenbach descobriu que a força do corpo humano produz uma polaridade, descrevendo cada lado do corpo como um pólo negativo e um positivo, mesmo princípio do Ying e Yang. Kilner, em 1911, estudando o CEH descreveu ter visto uma névoa brilhante ao redor de todo o corpo e a chamou de “aura” e revelou que manchas ou irregularidades poderiam aparecer na mesma, ainda alterações de cor e volume, dependendo de algumas doenças que estavam se manifestando no indivíduo. Reich também interessou-se pela Energia Universal, estudando sua relação com os distúrbios do corpo humano e as doenças psicológicas.
Bendit e Bendit, por volta de 1930, relacionaram o CEH com a saúde, cura e o desenvolvimento da alma. Karagulla relacionou observações visuais de sensitivos com desordem física e correlacionou a perturbação dos chakras com doenças. Pierrakos criou um sistema de diagnóstico e tratamento de problemas psicológicos através de observações visuais do CEH (Anexo IV) auxiliado por um pêndulo.
Todos esses estudiosos levam à conclusão de que as emissões de luz do corpo humano estão intimamente relacionadas com a saúde. Os CEHs já foram medidos em laboratório, sendo compostos por componentes eletrostáticos, magnéticos, eletromagnéticos, sônicos, térmicos e visuais. Todas as suas mensurações se harmonizam com a fisiologia do corpo, proporcionando um veículo para o funcionamento psicossomático.
2.5 A CAUSA DAS DOENÇAS
Chopra (1996) declara que: “nossas células estão constantemente e secretamente ouvindo nossos pensamentos, e sendo modificadas por eles” (p. 5). O modelo médico ocidental convencional atenta muito mais para o que constitui a doença do que para o que realmente contribui para a saúde.
A história mostra a medicina alopática tendendo sempre a ver a doença como uma mal funcionamento físico decorrente de uma causa primária e para isso, responde planejando uma estratégia de ataque. A doença pode se manifestar no corpo físico através de uma forma identificável, mas também pode manifestar-se no corpo mental ou emocional gerando outros desconfortos como ansiedade e depressão (BARNETT; CHAMBERS; DAVIDSON, 2007).
A doença então pode ser definida como um estado de desequilíbrio que leva a ruptura do melhor funcionamento do corpo, mente e emoções, ela não está separada do corpo, na verdade, ela é o próprio corpo em desequilíbrio. A doença não deve ser vista como um invasor, mas sim compreendida como um mensageiro que noticia que o equilíbrio precisa ser restaurado (BARNETT; CHAMBERS; DAVIDSON, 2007).
Na raiz do problema está o fato de que nós, como cultura, viramos nossas costas coletivas à cura. Não devemos nos enganar: estamos todos juntos nisso, arrebatados em conjunto pela abordagem física de saúde e doença e ofuscados pelas promessas da tecnologia de consertar todo desarranjo concebível do corpo. Contra este cenário, curadores e cura foram empurrados para o lado e quase esquecidos – e estamos pagando o preço. Ignorando o papel da consciência, da alma, do espírito e do significado, demos à luz uma doença que se espalha não apenas entre curadores e cura, mas penetra na alma e no espírito de uma cultura (BARNETT; CHAMBERS; DAVIDSON, 2007, p. 20).
A doença resulta de um desequilibro. O desequilíbrio pode resultar da perda da identidade criando pensamentos e ações que levam a doença. Assim, a doença pode ser entendida como uma espécie de lição que um indivíduo dá a si mesmo, no sentido de ajudar a lembrar-se de quem ele é (BRENNAM, 1987).
O holismo revela que cada pessoa carrega dentro de si bloqueios que interferem no funcionamento psicofisiológico. Para a cura destes transtornos é preciso abrir os canais espirituais, o que pode ser conseguido através da aplicação da terapia Reiki, que apesar de ser negada por muitos da comunidade científica, tem sua busca de forma crescente.
2.6 TENTANDO DEFINIR REIKI
Segundo Kessler (1998), definir Reiki é uma tarefa complexa, pois as línguas ocidentais enfrentam dificuldades ao traduzir as línguas orientais que usam ideogramas e não letras. A palavra Reiki, em japonês, é traduzida como “Energia Vital Universal”.
Quando não conseguimos repor nosso consumo de energia por um período prolongado, podemos ficar física e emocionalmente doentes. Se nossa provisão de Energia Vital está muito baixa e exaurida, sofremos de exaustão física, emocional e mental e tendemos a ficar muito mais irritados, mal-humorados e deprimidos do que normalmente (KESSLER, 1998, p.24).
A sílaba “Rei” possui diferentes significados: espírito, alma e universo; o que é universal e infinito. “Ki” pode ser traduzido como espírito, coração, ser, energia, atmosfera e sentimento. Denomina a Energia Vital, seja em forma de calor, luz ou força (KESSLER, 1998).
Para Honervogt (1998), “Rei” descreve o aspecto cósmico, universal, dessa energia, e “Ki”, significa a força vital fundamental que flui e pulsa em todos os seres vivos. Essa Energia Vital nos é dada no nascimento. E, segundo essa mesma autora, todos trazemos conosco certa quantidade de Ki para a vida, e a consumimos nas atividades do dia-a-dia.
2.6.1 O que é o Reiki?
Segundo Salomé (2005), o Reiki é uma terapia de toque usada para restabelecer e reequilibrar a energia do corpo, assim como outros métodos alternativos de tratamento, tem sua base no sistema de auto-responsabilidade, no qual o assistido é responsável pela sua saúde.
[…] o tratamento proposto pelo Reiki não se restringe à cura das doenças, mas implica na reformulação de hábitos e em uma nova percepção do mundo que não somente enfatiza alguns valores do indivíduo, mas também cria novas formas de sociabilidade (BABENKO, 2004, p. 115).
O Reiki é uma técnica simples e natural pela qual uma pessoa transfere Energia Vital Universal para outra, através das mãos, com objetivos de cura, e para Honervogt (1998), ele potencializa a força vital e equilibra as energias do corpo. Essa energia de cura natural flui de forma vigorosa e concentrada pelas mãos do praticante. A imposição das mãos direciona a energia de cura para o corpo do receptor. O doador de Reiki serve como canal para transmitir a Energia Vital Universal e o único requisito para que isso aconteça é que a pessoa (transmissor) seja devidamente iniciado ou sintonizado.
As sintonizações são formas de transmissões de energia que, abrindo o canal de cura interna individual, permitem que uma quantidade maior de Energia Vital Universal passe por você. Ocorrendo uma limpeza em cada sintonização, nos níveis físico, emocional, mental e espiritual. As sintonizações dissolvem os bloqueios, liberando toxinas e só podem ser realizadas por um mestre de Reiki (HONERVOGT, 1998).
A reestruturação energética se dá através do equilíbrio da aura (vide anexo II) que é um campo de energia vital luminoso que envolve o corpo físico e dele emana. Esta energia luminosa é conhecida desde o início dos tempos, hoje está sendo redescoberta, pois foi negada pelo público ocidental devido ao avanço do conhecimento do mundo físico (BRENNAM, 1987).
2.6.1.1 Princípios espirituais do Reiki
O Dr. Usui estabeleceu as suas cinco regras de vida que fazem parte dos ensinamentos tradicionais de Reiki, estas podem ser visualizadas abaixo:
“Exatamente hoje, não se preocupe;
Exatamente hoje, não se irrite;
Exatamente hoje, honre seus parentes, professores e anciãos;
Exatamente hoje, ganhe o seu pão honestamente;
Exatamente hoje, mostre gratidão por todos os seres vivos” (Usui, s/p).
Estes princípios devem ser seguidos, preferencialmente, por todas as pessoas, independente de seus credos, simpatizantes ou não do Reiki.
2.6.2 A história do Reiki
Segundo Honervogt (1998), o Dr. Mikao Usui, fundador do Reiki, viveu no final do século XIX. Ele era sacerdote cristão e diretor de uma pequena universidade em Quioto, no Japão. Com o intuito de pesquisar os métodos de cura usados por Jesus Cristo, o Dr. Usui decidiu viajar para um país cristão para estudar a Bíblia. Esse foi o início de anos de estudo.
Inicialmente na Universidade de Chicago, nos EUA, estudou a Bíblia, cristianismo e filosofia e viu como os textos eram idênticos aos que conhecera no Japão, ensinados por missionários. Logo após, estudou hinduísmo, budismo e outras religiões. Após sete anos estudando em Chicago, decidiu voltar para Kyoto. Foi encaminhado a um mosteiro com a maior biblioteca budista do país. Ficou lá durante três anos, leu todos os sutras escritos em japonês e sentou por muitas horas em meditação com os monges budistas. Quando quis deixar o mosteiro, o monge-chefe lhe pediu que ficasse e ajudasse a traduzir sutras mais antigos, que já haviam sido traduzidos do chinês. O Dr. Usui ainda aprendeu a ler em sânscrito, a língua mais antiga e original dos sutras tibetanos. Em sânscrito descobriu alguns símbolos e frases que poderiam ser a antiga fórmula usada por Jesus Cristo e Buda para curar os doentes, escritos 2.550 anos antes (KESSLER, 1998).
Faltava juntar os pedaços para obter uma forma praticável, então o Dr. Usui decidiu fazer uma “busca de visão” e começou um período de meditação e jejum de 21 dias, na montanha Kurayama, uma montanha sagrada perto de Quioto. Todos os dias, lia os sutras, meditava, entoava mantras e orava. No último dia de jejum, ele teve uma experiência de meditação profunda. Viu uma luz no céu brilhante que se deslocava rapidamente em sua direção, a luz o atingiu no meio da testa (o terceiro olho/sexto chakra), e ele entrou num estado de consciência expandida onde identificou os símbolos que conhecia dos sutras sânscritos. Simultaneamente, compreendeu como deveria aplicar os símbolos e mantras e se sentiu carregado de uma poderosa força de cura (HONERVOGT, 1998).
Desceu a montanha se sentindo forte e sem fome. Cheio de energia, sentiu-se pronto para voltar ao mosteiro onde se aconselhou com o monge velho sobre o que fazer com sua descoberta. Decidiu curar e ajudar aos mais pobres e mudou-se para um bairro pobre, onde praticou Reiki por sete anos. Tornou-se conhecido como grande curador e sempre reconheceu que não era ele quem curava, mas a energia de Deus que passava através dele (KESSLER, 1998).
2.6.3 O Reiki no Brasil
O primeiro curso de Reiki no Brasil realizou-se, provavelmente em novembro de 1982, no estado do Rio de Janeiro, com o mestre americano Stefhen Cord Saiki. A mais antiga ocasião falando de Reiki em nível nacional é um artigo numa revista esotérica brasileira, publicado em 1985. Pode-se dizer que a divulgação mais ampla do Reiki no Brasil começou em 1990, quando os primeiros mestres brasileiros começaram a trabalhar regularmente junto com alguns mestres estrangeiros (KESSLER, 1998).
Por volta de 1994, o Reiki tornou-se uma palavra conhecida pelo “círculo alternativo” e hoje está deixando de ser um conhecimento restrito a um círculo particular de pessoas. Em 1996, os primeiros livros foram lançados. Nas maiores capitais ocorre semanalmente algum curso de Reiki e encontra um interesse entre os profissionais da saúde, chegando em postos de saúde, hospitais e consultórios médicos, além de psicólogos e assistentes sociais. O Reiki está conquistando o público de forma explosiva (KESSLER, 1998).
2.7 O SISTEMA DE CHAKRAS
No tratamento com Reiki, as posições das mãos, correspondem ao sistema de glândulas endócrinas do corpo e aos sete chakras principais. O sistema endócrino regula o equilíbrio hormonal e o metabolismo. No nível energético, as glândulas endócrinas correspondem aos sete chakras principais ou centros de energia (HONERVOGT, 1998).
A palavra chakra deriva do sânscrito e significa “roda”. Esses centros recolhem energia sutil, transformando-a e fornecendo-a ao corpo. Cada chakra está ligado a determinado órgão e região do corpo, influenciando-o em sua função. Os hormônios produzidos pelas glândulas fluem diretamente para a corrente sanguínea, levando energia vital ao corpo. O sistema endócrino fornece energia aos chakras e ao mesmo tempo devolve as energias sutis dos chakras ao corpo. O Reiki opera através da inter-relação entre os chakras e as glândulas endócrinas e, desse modo, envolve os planos físico, energético e mental no processo de cura (HONERVGOT, 1998).
Fonte: http//:www.reiki-doinpxo.blogs.sapo.pt/2178.html
Figura 2: Localização dos Chakras.
Ainda, segundo os mesmo autores, os chakras relacionam-se às seguintes funções correspondentes:
Muladhara:
1º Chakra: da Raiz ou Básico.
Sistema Endócrino: Glândulas Supra-renais.
Relação Física: Rins, bexiga e medula espinhal.
Cor: Vermelho.
Função: portal da vida e da morte, é o centro da sobrevivência, da criatividade, da capacidade de usufruir da abundância do planeta.
Bloqueios: pacifismo extremo, medo existencial, agressão excessiva, medo da morte, impaciência, obesidade e dependência.
Mantra: Lam.
Svadhisthana:
2º Chakra: Sacro ou Sexual.
Sistema Endócrino: Gônadas.
Relação Física: Órgãos sexuais.
Cor: laranja.
Função: sexualidade, curiosidade, emoções, gosto pela arte e relações afetivas.
Bom Funcionamento: Possibilita o amor à vida, fazendo com que esta seja dotada de mais prazer.
Bloqueios: Medo da proximidade física, repugnância pelo corpo, mania de limpeza, incompreensão, isolamento, frigidez, impotência.
Mantra: Vam.
Elemento: Água.
Manipura:
3º Chakra: Plexo Solar
Sistema Endócrino: baço e Pâncreas.
Relação Física: sistema digestivo.
Cor: Amarelo.
Função: sabedoria, poder pessoal. Ponto onde se efetuam as trocas energéticas com outras pessoas.
Bom Funcionamento: plenitude dos atributos físicos e mentais, desenvoltura e harmonia.
Bloqueios: inferioridade, diminuição de capacidades mentais, pretensões ao poder e controle, ansiedade de status, gastos compulsivos.
Mantra: Ram.
Elemento: Fogo.
Anahata:
4º Chakra: do Coração ou Cardíaco
Sistema Endócrino: Glândula do Timo.
Relação Física: Coração, pulmões, fígado e sistema circulatório.
Cor: Primária o verde e secundária o rosa.
Função: equilíbrio energético e emocional, representa o amor incondicional.
Bom Funcionamento: Bom relacionamento com tudo e com todos.
Bloqueios: Incapacidade de amar ou amor sufocante/doentio, egoísmo, desenvolvimento de mecanismos violentos de resposta.
Mantra: Yam.
Elemento: Ar.
Vishuda:
5º Chakra: da Garganta ou Laríngeo.
Sistema Endócrino: tireóide e paratireóide.
Relação Física: Garganta e pulmões.
Cor: Azul claro.
Função: centro da comunicação. Alta consciência, purificação e por este Chakra que poderemos iniciar o caminho espiritual.
Bom Funcionamento: desenvolvimento em todos os sentidos, materiais e espirituais.
Bloqueios: Medo da desaprovação social, falha de comunicação, postura recolhida ou erguida.
Mantra: Ham.
Elemento: Éter
Ajna:
6º Chakra: Terceiro Olho ou Frontal
Sistema Endócrino: Glândula pituitária.
Relação Física: Sistema nervoso autônomo/hipotálamo.
Cor: Azul-marinho ou índigo.
Função: conhecimento psíquico, intuição e sentidos, permitindo a percepção extra-sensorial.
Bom Funcionamento: Percepção, conhecimento e liderança.
Bloqueios: instabilidade, medo de aparições, fanatismos, falta de opinião, objetivos e iniciativa.
Mantra: Om.
Elemento: Não tem elemento correspondente no mundo físico.
Sahasrara:
7º Chakra: da Coroa ou Coronal
Sistema Endócrino: Glândula pineal.
Relação Física: Cérebro superior e olho direito.
Cor: Violeta, branca ou dourada.
Função: ponto de ligação com os Guias Espirituais é por onde entra a energia proveniente da fonte.
Bom Funcionamento: Dá um sentido próprio à existência, sentido de totalidade, de fé e de paz.
Bloqueios: Puberdade tardia, não compreensão da espiritualidade, visão materialista da existência.
Mantra: Aum.
Elemento: Não tem elemento correspondente no mundo físico.
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Fonte: http//:www.reiki-doinpxo.blogs.sapo.pt/2178.html
Figuras 3: Relacionando os chakras às funções correspondentes.
2.8 SEQUÊNCIA DE UMA SESSÃO DE CURA
São doze posições básicas e uma aplicação completa de Reiki necessita de cerca de sessenta minutos, aplicando-se cerca de 4 minutos em cada posição. É recomendada sempre e em todas as circunstâncias, proporciona fornecimento de Energia Vital Universal para as principais áreas do corpo (KESSLER, 1998):
a) A cabeça
São tratados três pontos:
I) A face: para tratar os olhos (glaucoma, catarata), sinos, nariz, glândula pineal e hipófise, alergias, asma, resfriados e dentes (gengivite, dor de dente), dor de cabeça. A hipófise possui papel principal ao dirigir o funcionamento de outras glândulas hormonais e é tratada em todos os casos de distúrbios hormonais. Estimula o “terceiro olho” ou sexto chakra.
II) Crânio e laterais da cabeça: para tratar problemas nos ouvidos (surdez, zumbido nos ouvidos), distúrbios de equilíbrio, labirintite, resfriados e gripe, dor de cabeça, distúrbio de concentração e de aprendizado. Equilibra os dois hemisférios cerebrais.
III) A nuca: para relaxamento, dor de cabeça, resfriados, medos em geral, insônia, choque, hiperventilação, distúrbios digestivos, olhos, bloqueios no terceiro olho (sexto chakra), hemorragia nasal, é um ótimo tranqüilizante, bom para traumatismo.
b) Parte anterior do corpo
São tratados sete pontos:
I) O coração: trata o músculo cardíaco, distúrbios cardíacos em geral, timo, sistema imunológico, pulmões, bronquite, sistema linfático, depressões, fraqueza geral, falta ou excesso de emoções. Estimula o centro cardíaco, o quarto chakra.
II) O plexo solar: trata o plexo solar, coração, pâncreas (produção de insulina, diabetes), boca do estomago, aparelho digestivo, azia, náusea, cólon transversal, intestino grosso, choque, emoções, depressões. Regulariza a função do chakra do plexo solar, terceiro chakra.
III) Abdominal lateral: trata o fígado (hepatite, produção de sangue), desintoxicação, metabolismo, vesícula biliar (cálculo biliar), parte do pâncreas, hipoglicemia, intestino (duodeno, cólon ascendente). O fígado é um local de somatização de impulsos agressivos (pressão arterial alta) e depressão. No lado esquerdo trata-se o baço, sistema imunológico (infecções em geral, gripes, AIDS), anemia, leucemia, anticorpos e intestino (cólon descendente, intestino delgado).
IV) Hara (o centro de gravidade do corpo, ponto de equilíbrio e centralização emocional): trata o aparelho digestivo (intestino delgado, apêndice), prisão de ventre, gases e útero, muito recomendado durante a gravidez, harmonização de emoções como medos em geral, auto-estima, orgulho e depressões. Estimula o Hara, segundo chakra.
V) Baixo ventre: trata órgãos do baixo ventre, como o reto, apêndice (apendicite), cãibras, dornas costas, bexiga, uretra, órgãos genitais, aparelho reprodutivo. Nas mulheres, vagina, útero, ovários (cistos inclusive no seio, tumores, menopausa), bom para gravidez. Nos homens, próstata, testículos, pênis (herpes genital), impotência sexual, ejaculação precoce, câncer na próstata. Também trata emoções como medo da vida, medo de proximidade, falta de vontade de viver, depressão, regulação de peso, distúrbios sexuais e fraqueza geral. Regula a função do primeiro chakra, o chakra da base.
VI) Pés: trata dor de cabeça e labirintite e ajuda em casos de coma e choque, muito recomendado para o estado pós-cirúrgico e após anestesias em geral. Regulariza a função do chakra secundário do pé.
c) Costas
São tratados três pontos:
I) Ombros: trata o aparelho respiratório, dor de cabeça, dor nas costas e estresse. Muito bom para as pessoas que “carregam o mundo nas costas”, sentindo-se responsáveis por tudo, e também para pessoas que não assumem responsabilidade nem por elas mesmas.
II) Pulmões: trata o aparelho respiratório, pulmões (asma, bronquite, câncer pulmonar, pneumonia, tuberculose). Estimula o amor do indivíduo por si mesmo. Também serve para tratar o sistema imunológico.
III) Rins: trata as glândulas supra-renais, alergias, choque (profilaxia da insuficiência renal), cálculo renal, nefrite e desintoxicação. Estresse, insônia, medo e angústia em geral. Ainda ajuda a resolver problemas de relacionamento humano, distúrbios sexuais e aceitação das emoções.
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CAPÍTULO 3: TEORIA DO CUIDADO TRANSDIMENSIONAL (TCT)
Entende-se que cuidar é muito mais do que um ato, é uma atitude abrangente que inclui preocupação, responsabilidade e envolvimento afetivo (BOFF, 1999). Ainda é importante salientar que as práticas de cuidado são singulares e dependentes da cultura aonde serão praticadas.
Silva (1997) faz uma contribuição a Nightingale revelando que o foco do saber científico baseado no cuidado de Enfermagem aos seres humanos, deve estar inter-relacionado ao meio ambiente e nesta perspectiva, o cuidado de Enfermagem emerge com bases humanitárias articulando a arte, a ciência e a espiritualidade.
O Cuidado Transdimensional (CT) é de autoria de Alcione Leite da Silva, enfermeira graduada pela Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo, em 1976, com doutorado em Filosofia da Enfermagem pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em 1997, onde defendeu esta teoria. Hoje é professora titular da UFSC e participa ativamente da vida acadêmica da Enfermagem brasileira e também de outros países.
Silva (1997) defende o CT como uma maneira de sentir e cuidar do ser humano inter-relacionando e harmonizando suas múltiplas dimensões (corpo, mente e espírito), isso amplia a perspectiva de ação do cuidado para além do processo saúde-doença, possibilitando que possamos atingir nova consciência e resgatar o verdadeiro sentido da vida em todas as suas formas de expressão.
O CT emerge como um processo facilitador de interação onde forças buscam a expansão das capacidades do ser o colocando em contato com suas potencialidades de amor e sabedoria da alma, e isso viria a transformar, inclusive, seus próprios cuidadores. Como um diálogo entre razão e intuição,uma evolução dos cinco sentidos para o mundo multisensorial (SILVA, 1997).
Neste sentido, o Cuidado Transdimensional é muito mais que a sintonia da interação de elementos, mas o fruto de uma experiência pessoal-profissional, individual ou grupal que dá significado ao cuidado. É um encontro/união,único, entre dois ou mais seres com diferentes padrões de ritmos de expressão da consciência (diferentes formas de confrontar a realidade) (BABENKO, 2004, p. 21).
O cuidado de Enfermagem vem evoluindo e o CT é um paradigma emergente, alicerce para as ações de Enfermagem de forma holística, além de ser uma teoria produzida por uma enfermeira brasileira.
O cuidado transdimensional constiui-se em um processo eminentemente participativo e reflexivo, em que o/a cuiador/a e o ser cuidado, através de uma interação dinâmica, intuitiva e criativa, oportunizam um caminhar rumo a novas experiências, nas quais, de forma original e única se autoconhecem e se autotransformam (FREITAS, 2000, p. 17).
O CT chega com o objetivo de estar acima da visão reducionista que ainda pode ser observada no atual sistema de saúde, visando assim, a integralidade dos seres (SILVA, 1997). A linha de raciocínio da autora demonstra três ordens de existência: a alma ou consciência individual; a ordem implicada ou campo-não-manifesto e a ordem explicada ou campo-manifesto que existem simultaneamente constituindo uma realidade única (STAMM, 2002).
3.1 CONSCIÊNCIA INDIVIDUAL
Seria a percepção limitada do eu, do outro e do mundo, caracterizada pelo desconhecimento dos padrões de consciência expressa, que se revelam por um processo sensível e interacional com o todo. Quanto maior a quantidade e a qualidade das experiências, maior a capacidade de perceber as interações, expressando o processo evolutivo dos seres humanos (SILVA, 1997).
3.2 CONSCIÊNCIA UNIVERSAL
Esta é uma realidade complexa representada por um universo, rica em diversidade e indo além da noção espaço-tempo. Seria o mais elevado estágio de amor e sabedoria que, porém, não se revela em toda sua dimensão, pois a racionalidade humana não consegue alcançar o seu todo, sendo necessária a intuição como um recurso de acesso, mesmo que de forma incompleta (SILVA, 1997).
3.3 PRESSUPOSTOS FILOSÓFICOS DO CT
Segundo Babenko (2004) seriam alguns pressupostos do CT:
a) interação e diálogo permanente;
b) priorização da vida;
c) contemplação da totalidade do ser e do meio ambiente;
d) estrapolação da tridimensionalidade;
e) emerção da compatibilidade estética e amorosa entre cuidador e ser cuidado;
f) privilégio da essência do ser, restituindo sua natureza sagrada;
g) processo participativo e reflexivo.
Como pressupostos filosóficos do CT, Silva (1997) cita, interação e diálogo permanente, priorização da vida, contemplação entre a totalidade do ser e do meio ambiente, extrapolar a tridimensionalidade para além da noção tradicional do espaço-tempo, compatibilidade estética e amorosa entre cuidados e cuidadores, privilegiar a essência do ser e catalisar a reflexão-conscientização-ação-transformação. Requer também novas habilidades e capacidades do cuidador que vão além da sua capacidade intelectual e racional.
Por fim, pode-se dizer que o CT transcende o reducionismo observado nos serviços de saúde de uma forma que vá além da tridimensionalidade, indo a totalidade do ser. O cuidador transdimensional é aquele que cuida de seus clientes como um todo e que percebe e sente a relação do cuidado como um processo.
3.4 A OPÇÃO PELA TEORIA
A opção da teoria do cuidado transdimensional neste trabalho se deu devido ao Reiki ser uma prática holística e, portanto, a teoria mais adequada, pois ela convida-nos a considerar novas responsabilidades morais frente à humanidade.
Para Babenko (2004), Silva traz conceitos de imanência (o que a pessoa traz consigo, suas crenças e valores) e transcendência (a busca do novo) como princípios que irão nortear o cuidado de Enfermagem, um processo contínuo com a finalidade de uma visão mais abrangente da totalidade.
O cuidador dentro do CT é na verdade um facilitador na busca da transcendência do seu cliente. A qualidade do cuidado prestado vai depender dos propósitos do cuidador, do seu amor incondicional e dos propósitos que o levaram a cuidar, fora o fato que ele deve ter atitudes de honestidade, aceitação, interesse e respeito pelo outro, conquistando sua confiança.
O atendimento/cuidado prestado pela Enfermagem alia o holismo às técnicas pertinentes a profissão. É possível durante a prestação do mesmo a execução do toque terapêutico reikiano, ou seja, aliar capacidade técnica para o cuidado com a terapêutica alternativa, criando um conjunto holístico de reequilíbrio energético
CAPÍTULO 4: ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
“O amor relaxa o outro. O amor dá confiança ao outro. O amor banha o outro, cura suas feridas” (OSHO).
O Reiki é um sistema natural de cura que acontece pela canalização de energia vital universal pelas mãos do reikiano, acarretando harmonização de forma integral e retorno ao estado de equilíbrio e saúde. Já a TCT nos convida a ir além do cuidado corpo-mente ampliando a maneira de sentir e cuidar, o que segundo Capra (2006) contribui no sentido de que o cuidado seja realizado através da melhor adaptação da pessoa ao meio ambiente.
Neste trabalho procurou-se aliar a proposta reikiana com o CTC no sentido de integralizar a singularidade de cada participante dentro de seus processos de busca de cura através da harmonização e o equilíbrio das energias vitais.
Para tanto, foram entrevistados sete usuários da terapia Reiki que já haviam se submetido a, pelo menos, seis sessões e que aceitaram participar deste estudo. Foi possível chegar a essas pessoas por meio das informações fornecidas por uma terapeuta reikiana de uma cidade da Região Noroeste do Rio Grande do Sul. O perfil desses entrevistados pode ser visualizado abaixo.
4.1 PERFIL DOS ENTREVISTADOS
De acordo com as entrevistas realizadas foi possível agrupar os resultados referentes ao perfil da maneira expressa no quadro abaixo.
|
ENT |
SEXO |
FE |
ESCO |
PROF |
RM |
REL |
|
1 |
F |
41-60 |
EMC |
COMERCIÁRIO |
3-6 |
CATÓLICA |
|
2 |
M |
- 20 |
EFI |
ESTUDANTE |
3-6 |
EVANGÉLICA LUTERANA |
|
3 |
F |
41-60 |
EMC |
COMERCIANTE |
1-3 |
EVANGÉLICA LUTERANA |
|
4 |
F |
41-60 |
EMC |
COMERCIÁRIO |
+ 6 |
CATÓLICA |
|
5 |
M |
+ 60 |
EFC |
COMERCIANTE |
3-6 |
EVANGÉLICA LUTERANA |
|
6 |
F |
41-60 |
ESC |
PROFESSORA |
1-3 |
EVANGÉLICA LUTERANA |
|
7 |
F |
21-40 |
EMC |
DONA DE CASA |
1-3 |
CATÓLICA |
Fonte: Hirt; Dembogurski; Cavalheiro, 2010.
Figura 4: Perfil dos entrevistados.
Legenda:
ENT: entrevistados; F: feminino; M: masculino; FE: faixa etária; ESCO: escolaridade; EMC: ensino médio completo; EFI: ensino fundamental incompleto; EFC: ensino fundamental completo; ESC: ensino superior completo; PROF: profissão; RM: renda mensal (em salários mínimos); REL: religião.
Pode-se observar no quadro acima que a maioria dos entrevistados são do sexo feminino, encontram-se na faixa etária de 41-60 anos e possuem ensino médio completo. Os que possuem trabalho formal estão no comércio com renda mensal variando entre 1 e 6 salários mínimos. As religiões citadas foram a Católica e a Evangélica Luterana.
Alguns estudos têm demonstrado que as mulheres são a porção da população que mais busca os serviços de saúde e aqui pode-se incluir também as TACs como foi demonstrado nessa pesquisa. Gomes; Nascimento; Araújo (2007) referem que, apesar dos homens representarem as maiores taxas de morbimortalidade que as mulheres, eles procuram menos os serviços de saúde do que elas.
Estudos sobre diferenças de gênero (aqui entendido como atributos e funções socialmente construídos, configurando diferenças entre os sexos) demonstram que o fato de os homens procurarem menos por recursos para tratarem de sua saúde pode estar vinculado ao fato de que, socialmente, o “cuidado” (grifo da autora) está ligado ao gênero feminino, como uma prática naturalizada (PINHEIRO et al., 2002; FONSECA et al., 2003).
Rodrigues Neto; Faria; Figueiredo (2009) também referem a maior utilização das TACs por mulheres e a média de idade encontrada em sua pesquisa foi de 42,05 anos, mas a comparação entre faixas etárias não demonstrou prevalência significativa de uma faixa sobre outra. Eles também encontraram maior utilização das TACs por pessoas com ensino superior completo e renda superior a quatro salários mínimos diferentemente deste estudo que encontrou maior prevalência de utilização entre pessoas com ensino médio completo e renda entre 1 e 6 salários mínimos.
4.1 PROCURANDO POR AJUDA
Muitos são os motivos que mobilizam as pessoas em busca de ajuda para seus males físicos, mentais e espirituais. É pela percepção dos sintomas que se direciona a busca de ajuda. Geralmente as pessoas iniciam a busca de solução para os seus problemas de saúde pelos serviços tradicionais, destes alguns não encontram respostas satisfatórias e é isso que os mobiliza na busca de alternativas.
O sistema médico tradicional é muito sofisticado em relação a patologias específicas, mas sistematicamente acaba dando pouca atenção a outros aspectos importantes da saúde do cliente, principalmente no sentido de abrir espaço para que a pessoa se refira ao modo como se sente em relação a sua situação. Ainda existem situações em que tudo que podia ser feito já foi feito, como, por exemplo, em doenças terminais, nestes casos as TACs, combinadas com o tradicional, são de especial importância na melhoria da qualidade de vida dos clientes (BARNETT; CHAMBERS; DAVIDSON, 2007).
Os terapeutas reikianos e os trabalhadores da saúde podem e devem trabalhar juntos, aproveitando a tecnologia e o melhor da atenção pessoal disponível dentro de cada caso. A aplicação do Reiki pode ajudar proporcionando uma visão mais ampla dos fatores responsáveis pela doença, gerando informações que os métodos padrões não podem obter e, por fim, proporcionando a imposição de mãos para equilibrar o sistema de energia do cliente e acelerar e/ou acentuar a sua cura. Muitas vezes a harmonização da energia auxilia o cliente a ganhar forças suficientes para salvar a própria vida (BRENNAN, 1987).
O Reiki, enquanto terapia que trabalha com energia da mente em relação a patologias, pode ser uma das principais chaves a proporcionar mudanças no estilo de vida, atitudes ou ainda na maneira de ver e sentir o mundo.
Ele vivia constipado, chegava a fazer cocô com sangue, no fim não queria mais ir ao banheiro, traumatizou. Virou uma coisa anti social, a gente saía para almoçar e ele não se sentava, só ficava ajoelhado na cadeira, ficou dos três até os quatro anos na horizontal. Passamos por cuidados na alimentação e psicóloga, mas nada adiantava, foi então que a gente passou para o Reiki. Na terceira sessão ela estava com as mãos na barriga e ele disse preciso fazer cocô, não fez naquela hora, mas pediu. Na quarta sessão ele normalizou e nunca mais aconteceu (E2, 2010).
Tava buscando uma mudança em mim porque eu não tava me sentindo muito bem, tava estressada, cheia de medos, eu me sentia insegura. Tinha muitas dores no corpo. Não conseguia parar de tremer as pernas (E3, 2010).
Eu tinha um tumor no pâncreas, o médico disse que dificilmente uma pessoa passa de dois anos depois da cirurgia. Procurei depois da cirurgia para uma cura mais rápida (E5, 2010).
Busquei o Reiki depois de saber que tinha um tumor entre o útero e o ovário esquerdo, para uma ajuda tanto física como mental. Passei por tantas dificuldades, tive uma criança com Down que faleceu com um ano e oito meses por erro médico, depois engravidei de novo e tive um aborto porque era uma gravidez molar. Depois disso tudo descobri esse câncer, fiz quimioterapia e aí o Reiki entrou na minha vida (E7, 2010).
Nas falas acima, pode-se perceber que diferentes motivos levaram os entrevistados a procurar pela terapia reikiana, desde problemas emocionais até situações crônicas ou críticas, mas todos já haviam procurado caminhos tradicionais sem conseguir alívio para seus problemas.
A terapia bioenergética ajuda a aliviar dores causadas pelo câncer e também pode diminuir a quantidade de medicamentos analgésicos e até mesmo os tranqüilizantes usados, os clientes se tornam mais calmos e relaxados, a dor desaparece ou é aliviada e o processo de reabilitação é acelerado. Em alguns países como a Polônia e os Estados Unidos, alguns reikianos estão começando a trabalhar junto com os médicos (BRENNAN, 1987).
O propósito fundamental da Enfermagem é o cuidado humano. Uma das nuances do cuidado é a habilidade de dar apoio e transmitir bem estar e, desta forma, aumentar a presença curativa profissional. Um fluxo aumentado de energia vital é disponibilizado para um cliente quando a enfermeira reikiana proporciona um toque terapêutico. Barnett; Chambers; Davidson (2007, p. 72) referem, sobre a atitude profissional da Enfermagem que: “o Reiki nos encontra aonde estamos e gentilmente nos empurra para a frente, dando apoio para realizarmos a tarefa que nascemos para realizar. Ajuda-nos a conhecer nosso propósito e o manifesta com força, vitalidade e conforto”.
Nos Estados Unidos, o sistema de assistência médica vem se preocupando em ser inovador, oferecendo melhor qualidade de atendimento a baixos custos, neste sentido as instituições se voltam à prática das TACs. Intervenções como o Reiki podem ser praticadas sem uso de tecnologia e de maneira simples e eficaz e, para tanto, muitas enfermeiras vem sendo iniciadas nesta terapia pois o Reiki funciona além da vontade consciente do cliente e pode se tornar uma habilidade de cura profissional importante (BARNETT; CHAMBERS; DAVIDSON, 2007).
4.3 RECEBENDO REIKI
Uma sessão de Reiki implica no posicionamento das mãos em forma de concha, sob as posições propostas pelo tratamento. As posições usadas à direita e à esquerda harmonizam os dois hemisférios. O lado esquerdo corresponde ao Yin, feminino e, portanto, intuitivo. O lado direito é o correspondente a energia Yang, masculino, racional e crítico (KING; ABARCA, 2000). Durante a sessão o cliente não necessita se despir ou usar qualquer tipo de drogas e, como faz parte de um processo holístico de auto cura ele precisará de um período de tempo para sentir-se melhor (KESSLER 1998).
A terapêutica com Reiki pode ser considerada um encontro de energias vitais, mas o terapêuta é um canal energético passivo, pois não envolve sua energia pessoal em nenhum momento, já o cliente, o receptor, é ativo. A energia circulante pode ser considerada alimento de energias sutis (HALL, 2001). Esta é uma técnica que visa a harmonização integral, atuando em todos os campos energéticos humanos, portanto, é importante salientar que é uma intervenção que não substitui outras terapêuticas.
Durante a aplicação do Reiki, que pode durar até aproximadamente uma hora, as sensações percebidas pelos entrevistados são diversas, apesar do relato dos mesmos de que uma sessão é sempre diferente da outra. Alguns, além da aplicação do Reiki, se submeteram a cirurgias espirituais.
Nossa, é um relaxamento[…]é uma sensação boa, de muita paz, tranqüilidade e alívio. Na maioria das vezes eu chegava a dormir. As mãos da R. pareciam uma bolsa de água quente me relaxando. Durante a cirurgia espiritual eu senti meu coração vindo até minha mama e sentia um aperto nela, eu enxergava o tumor cinza e oval, fiquei tonta, senti arrancar, tirar, tirar[…]no meu braço eu sentia como se fosse enfiando uma agulha de tricô, puxando, limpando as veias (E1, 2010).
Fiz várias sessões e cada uma dá uma sensação diferente da outra, às vezes enxergo luzes coloridas, outras só escuro. Algumas vezes me sinto tranqüila, em outras fico agitada, uma vez chorei, outras vezes sorria e dormia, mas sempre sentia calor no lugar onde ela colocava as mãos. O médico ficou apavorado de como meu tumor diminuiu rápido (E7, 2010).
A terapêutica através da harmonização começa com as energias mais sutis, enquanto avança se exterioriza, manifestando o que está acontecendo, através de imagens, sensações físicas ou emocionais, com isso, algumas pessoas podem apresentar sintomas como angústia, náuseas, inquietação e tonturas (HALL, 2001).
Alguns sintomas podem aparecer devido a um mal em estado latente. Em situações agudas os sintomas, muitas vezes desagradáveis, podem aparecer nas primeiras sessões. Já em patologias crônicas, as dores desaparecerão de forma gradativa até chegar o ponto do bloqueio, onde as sensações desagradáveis podem acontecer. Mesmo sendo sensações desagradáveis, devem ser vistas de forma positiva, pois fazem parte do processo de tratamento (KING; ABARCA, 2000).
Algumas pessoas referem sono, chegando a adormecer durante a aplicação, isso se dá quando a atividade mental é equilibrada e diminuída, com o indivíduo se abrindo ao tratamento. É a entrada em um estado de consciência semelhante ao sono que se dá logo após ou durante a aplicação do Reiki na cabeça (KESSLER, 1998).
Foi bom desde o início, logo na segunda sessão comecei a me sentir bem melhor, eu só tinha vontade de rir, coisa mais boa. E daí fui começando a ficar mais leve, sentia calor, ficava tranqüila, sentindo muita paz. Eu fazia três vezes por semana porque eu tava muito mal (E3, 2010).
Eu fiz Reiki antes da minha cirurgia, senti muito alívio, fiquei tão tranqüilo que dormi sem calmante, não tinha medo. Depois da cirurgia tinha a sensação de que tinham colocado uns grãozinhos de sal em cima dos meus pontos (E5, 2010).
Senti muita tranqüilidade, paz, foi como se a música me envolvesse, me transportava e trazia uma sensação gostosa, relaxante. Sentia o calor onde ela trabalhava, aquele lugar ficava quente, via luzes laranja, vermelha, violeta, azul, roxo (E6, 2010).
Durante um tratamento com o Reiki as sensações percebidas podem ser sutis, a ponto de alguns referirem não sentir coisa alguma, outros referem um profundo relaxamento. De qualquer forma, o Reiki sempre age em quem o recebe, mesmo quando seus efeitos não são imediatos. Ele encoraja o funcionamento do sistema de cura corpóreo (BARNETT; CHAMBERS; DAVIDSON, 2007).
Todos os entrevistados referiram sensação de tranqüilidade, relaxamento e alívio. A maioria refere calor no local da aplicação e consegue visualizar luzes coloridas, muitos dormem.
O panorama das experiências relatadas com Reiki é grande e não existe uma experiência absolutamente igual a outra. Os relatos variam entre sintonização com o universo, aumento da percepção, cura, amor, paz. Kessler (1998, p. 181) relata a fala de um cliente, “o Reiki me proporcionou muitas transformações. Logo após a sessão fiquei em estado de graça: tudo era mais vivo, mais bonito. Sentia vontade de partilhar minha alegria com as pessoas”.
Ao receber a terapêutica reikiana o corpo do cliente relaxa, a frequência cardíaca e respiratória atingem o nível de repouso. Pode-se observar a suavização da expressão facial. Alguns dormem e acordam cheios de energia. Alguns, podem se sentir, inicialmente, mais cansados e necessitarão de mais alguma horas para dormir, é que o Reiki está fazendo com que o corpo “fale” (grifo da autora), demonstrando suas necessidades (KESSLER, 1998).
4.4 MUDANÇAS PROPORCIONADAS PELO REIKI
No processo de cura nem sempre se sabe com exatidão do que realmente a outra pessoa precisa. Os terapeutas reikianos podem prover amor, apoio e energia curativa no sentido de ajudar a outra pessoa em seu processo curativo. O restante é decisão pessoal de quem recebe a cura, ou seja, se abrir e assumir a responsabilidade pelo seu próprio processo curativo. A cura neste sentido pode não significar que a pessoa curou-se, mas sim que modificou-se (BRADFORD, 1993).
Fisicamente a única coisa que mudou em mim foi que eu engordei sete quilos. Espiritualmente não mudou muita coisa porque eu já tinha meu lado espiritual bem desenvolvido. Mentalmente eu acho que porque você já tem amor no seu coração ele se torna infinito, sem explicação. Eu sempre tive o lado humano de ajudar, ajudar, ajudar. Agora parece que eu tenho a obrigação de ajudar as pessoas sem distinção (E1, 2010).
Meu, pois é, total né. Ele normalizou o intestino, ficou uma criança mais aberta e mais acessível. Ele era fechadão, hoje ele tá mais disposto pra tudo. Antes ele tava só deitado, depois queria jogar bola, fazer as coisas. O sono dele mudou, ficou mais tranqüilo, sereno. A alimentação eu acho que melhorou também. Achei ele outra criança, do preto pro branco. Antes ele não conversava, começou a tagarelar, ficou mais receptivo às pessoas (E2, 2010).
Fim na verdade não teve, porque eu continuo fazendo. Pra mim vai ser eterno, mas eu me sinto mais calma, centrada, equilibrada, na paz, sem medos. Ainda tenho um pouco de tensão, mas já melhorei um monte. Mexeu muito com o meu emocional. Quando começou, não conseguia ficar deitada. Comecei a buscar minha espiritualidade, meu lado espiritual, rezar mais. Acredito mais em mim hoje (E3, 2010).
A minha vida se transformou. Eu não via mais nada que pudesse mudar na minha vida. Tudo era um desespero pra mim, não tinha saída, sentia medo, pânico, angústia de tudo, não tinha coragem de enfrentar o dia-a-dia.Tinha vontade de me matar. Percebi que só atraía tranqueira, pessoas ruins, coisas ruins. Na questão emocional foi uma coisa muito boa, muito forte. Quando tomava remédio, a dor no joelho passava mas voltava. Aprendi a valorizar as pequenas coisas, comecei a aceitar mais as coisas. Fiz fisioterapia por mais ou menos doze anos e depois do Reiki e da cirurgia espiritual não senti mais dor (E4, 2010).
Melhorei muito, diminuiu as crises. Eu acho que a gente pode dizer que a gente pode acreditar nisso, que realmente existe uma forma de tratar o teu espiritual. Tua vida tem uma melhora muito grande. Parece que desbloqueia alguma coisa, me senti mais leve e tal (E6, 2010).
Segundo as falas acima, pode-se perceber que a vida dos clientes após Reiki melhorou de forma significativa, não apenas em relação às patologias, mas em um todo, como preza as terapias holísticas. Todos de uma maneira geral referem hoje tranqüilidade, confiança e aumento da espiritualidade. Este estudo mostra o quanto essa terapia pode ser positiva no sentido de melhorar a qualidade de vida percebida.
Durante uma sessão de Reiki as células do cliente “se abrem” (grifo da autora), absorvendo a energia universal, no momento que se abrem também soltam a energia que é ultrapassada, no sentido de harmonização do sistema corporal. “Quando o corpo está em equilíbrio, ele mesmo pode se curar” (BARNETT; CHAMBERS; DAVIDSON, 2007, p. 49). Por isso, algumas vezes os efeitos curativos da terapia podem não ser percebidos por quem a recebe, mas o verdadeiro sentido do Reiki e da cura proporcionada por ele está em potencializar a responsabilidade de cura do próprio indivíduo.
O Reiki pode fornecer um caminho para a cura e plenitude. Para alguns pode parecer passivo, mas na verdade é ativo ao acalmar dores, náuseas e outras condições físicas e emocionais, sendo compatível com várias outras terapêuticas tradicionais. Ele se dirige não apenas aos sintomas apresentados pelos clientes, mas também melhora sobremaneira a sua qualidade de vida, mesmo quando a pessoa não consegue verbalizar seus sentimentos e dores (BARNETT; CHAMBERS; DAVIDSON, 2007).
REFLEXÕES NADA CONCLUSIVAS
“Sustento que o sentimento religioso cósmico é o mais forte e o mais nobre incitamento à pesquisa científica” (ALBERT EINSTEIN).
As TACs já são uma realidade no meio científico mundial. Dentre todas as TACs este estudo se direcionou especificamente ao Reiki, procurando aliá-lo a TCT, articulando os pressupostos dessa teoria e preocupando-se com as causas das moléstias e não apenas os efeitos das mesmas. As preocupações que trouxeram a autora a este trabalho, além da grande quantidade de medicação alopática usada pela população, é a falta de preparo profissional de muitos trabalhadores da saúde frente a subjetividade e singularidade dos seres humanos.
Este trabalho propõe a prática natural da aplicação do Reiki como uma possibilidade de contribuição ao cuidado de Enfermagem, razão primeira desta profissão, pois se trata de uma tecnologia natural, simples, sem contra-indicações, de fácil aplicação e baixo custo, direcionando a atenção ao auto-cuidado. Entende-se que todas as possibilidades terapêuticas devem ser tentadas e estimuladas desde que sejam respeitadas as questões ligadas a ética e a legalidade profissional.
O Reiki deve ser encarado como uma forma coadjuvante no tratamento de enfermidades, várias terapêuticas podem caminhar juntas buscando melhores soluções no sentido de melhorar a saúde da população. Sem falar, que o Reiki proporciona o toque terapêutico e a interação incondicional em um mundo cada vez mais repleto de relacionamentos anônimos, onde a preocupação com os semelhantes deixa de ser importante, uma forma de interação consigo mesmo e com o mundo.
A terapêutica reikiana não é um tratamento milagroso portanto, o cliente não pode negligenciar sua saúde e viver de forma errada. O Reiki leva a pessoa a prestar mais atenção em si mesmo, facilitando a tomada de consciência corporal e visualizando suas carências, é uma forma de autoconhecimento.
Poderíamos dizer que existem dois tipos de doenças, aquelas aparentes, resultado de incidentes externos e outras provenientes de processos internos que surgem como uma forma de proteção gerando emoções e fazendo com que a energia corpórea fique aprisionada. Esta energia aprisionada pode causar, a longo prazo, problemas orgânicos importantes. É preciso encarar os sintomas como sinais de ajuda enviados pelo corpo e tentar harmonizar a energia em desequilíbrio, nada melhor do que o Reiki para atingir este objetivo.
O Reiki deve ser entendido como um trabalho de cura com intenção de servir e afirmar a vida, misturando conhecimento científico e suas técnicas com a sabedoria, empreendendo ações orientadas pelo sentimento amoroso. É uma modalidade de cura perfeitamente adaptada ao novo paradigma da saúde vivenciado na atualidade, pois direciona-se a prevenção, auto-cuidado e co-responsabilidade do cliente por sua saúde.
Quando os trabalhadores da saúde se interessam pelo Reiki no sentido de aprimorar suas habilidades técnicas e formas de abordagem com o cliente, eles também estão recebendo uma importante ferramenta de manutenção de sua saúde e de crescimento pessoal.
O aumento do número de trabalhadores da saúde interessados em conhecer e praticar as TACs e o aumento do número de pessoas leigas interessadas em tratamentos com as mesmas demonstra a importância que esses métodos estão alcançando, mesmo que isso venha se dando de forma vagarosa. A principal importância deles está, provavelmente, na melhoria da qualidade e da humanização do atendimento, sem falar na redução de custos ao sistema de saúde.
A pesquisa mostra motivos diversos para a busca do Reiki, mas também que todas as pessoas já haviam trilhado os caminhos de ajudas tradicionais. Mostra também que o recebimento do toque terapêutico é de fácil execução e sem custos, que relaxa e harmoniza quem procura por este caminho.
Por fim, a pesquisa revela o estado de plenitude que os clientes atingem após as sessões, melhorando o lado espiritual e agilizando os processos de cura física e psicológica. Modificando as pessoas para prestarem atenção a si mesmas, proporcionando harmonia e amor e, finalmente, levando ao auto-cuidado.
Este trabalho deseja romper com a idéia pré-concebida de que o bom profissional da saúde é aquele que propõe intervenções e prescreve medicamentos, bem como mudar o imaginário cultural de que as TACs devem ser e são um dos últimos recursos a serem utilizados, pois, na verdade elas são terapêuticas de cuidado contínuo e que valorizam a singularidade dos sujeitos e devem caminhar junto com outras terapias e mesmo individualmente, como recurso primeiro e único.
Concorda-se plenamente com alguns autores citados neste texto no sentido de que o Reiki deveria ser ensinado a todos os estudantes de Enfermagem.
Um dos principais objetivos do Reiki, como também da proposta da Estratégia de Saúde da Família (ESF), é ampliar a co-responsabilidade dos clientes e usuários do sistema, isso corrobora com um dos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS) que é a integralidade da atenção, um ideal que ainda não foi concretizado, mas que, imagina-se ser possível através de trabalhos coerentes e eficazes, levando lentamente a uma nova forma de pensar a agir dos trabalhadores da saúde.
Destaca-se que o cuidado prestado na perspectiva reikiana está fortemente vinculado à TCT proposta por Silva (1997). Os resultados obtidos nesta pesquisa oferecem aporte à teoria escolhida, pois esta vem a potencializar os princípios do Reiki e, portanto, da integralidade holística do cuidado humano.
A hipótese proposta por este trabalho foi confirmada e os objetivos alcançados. Ainda como forma de atingir o objetivo referente a divulgação do Reiki para futuros profissionais enfermeiros, a autora se propõe a criar um espaço alternativo de diálogo acadêmico com seus colegas sobre a temática.
A terapia reikiana pode e deve ser utilizada em vários espaços de atenção, seja na rede básica, hospitais, consultórios, clínicas, casas de repouso, domicílios, enfim, onde o cuidado se faça necessário.
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APÊNDICES
1. Delineando o perfil:
1.1 Sexo: ( ) masculino ( ) feminino
1.2 Faixa etária: ( ) menos de 20 anos
( ) de 21 a 40 anos
( ) de 41 a 60 anos
( ) mais de 60 anos
1.3 Escolaridade: ( ) ensino fundamental incompleto
( ) ensino fundamental completo
( ) ensino médio incompleto
( ) ensino médio completo
( ) ensino superior incompleto
( ) ensino superior completo
1.4 Profissão: _________________________________________________
1.5 Renda mensal aproximada: ( ) de 1 a 3 salários mínimos
( ) de 3 a 6 salários mínimos
( ) mais de 6 salários mínimos
1.6 Religião: _______________________________________________
2. Como você ficou sabendo sobre o Reiki?
3. O que levou você a procurar essa terapia?
4. Descreva os sentimentos e sensações sentidas durante a aplicação do Reiki:
5. Quais as mudanças que você pode citar que ocorreram em sua vida, em termos de saúde física, mental e espiritual após o fim do tratamento?
APÊNDICE B: TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E INFORMADO
Tema: A Terapia Alternativa/Complementar Reiki
Pesquisadora: Aline Cristiane Hirt
Orientadora: Rosane Maria Dembogurski
A presente pesquisa tem como objetivo identificar e analisar os benefícios sentidos com a prática de Reiki
Para a realização deste estudo, utilizar-se-á uma entrevista semi-estruturada com questões abertas e fechadas sobre o tema, garantindo-se o anonimato dos sujeitos pesquisados e o caráter confidencial das informações coletadas.
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Sendo assim, eu__________________________________________, aceitei livremente colaborar com a realização do proposto estudo, sabendo que tenho assegurado:
a) O direito de receber resposta a todas as dúvidas acerca do tema em estudo;
b) O direito de retirar meu consentimento, a qualquer momento e deixar de participar do estudo, sem constrangimento e sem sofrer nenhum tipo de represália;
c) O direito de não ter minha identidade revelada em momento algum da pesquisa;
d) Fui esclarecido dos objetivos do estudo, técnicas e recursos a serem utilizados;
e) Fui informado quanto à análise da pesquisa, tendo garantido a oportunidade de discuti-la e manifestar minha opinião;
f) Fui informado de que o pesquisador registrará os dados de observação e procederá a anotação devida;
g) Fui informado quanto à privacidade e integridade pessoal conforme a Resolução 196/96.
____________. ____, de _______________ de 2010.
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Assinatura dos Pesquisadores |
Assinatura do Sujeito Pesquisado |
Obs: Este documento será apresentado em duas vias, uma para o pesquisador e outra para o participante do estudo.
ANEXOS
ANEXO I – Resolução 197 de 19 de Março de 1997.
RESOLUÇÃO COFEN-197/1997
Criado em 19/03/1997.
Estabelece e reconhece as Terapias Alternativas como especialidade e/ou qualificação do profissional de Enfermagem.
O Conselho Federal de Enfermagem, no uso de sua competência estipulada no artigo 8º, inciso IV da Lei n.º 5.905, de 12 de julho de 1973, combinado com o artigo 16, incisos IV e XIII do Regimento da Autarquia, aprovado pela Resolução-COFEN 52/79; CONSIDERANDO o que estabelece a Constituição Federal no seu artigo 1º incisos I e II, artigo 3º, incisos II e XIII; CONSIDERANDO o Parecer Normativo do COFEN n.º 004/95, aprovado na 239ª Reunião Ordinária, realizada em 18.07.95, onde dispõe que as terapias alternativas (Acupuntura, Iridologia, Fitoterapia, Reflexologia, Quiropraxia, Massoterapia, dentre outras), são práticas oriundas, em sua maioria, de culturas orientais, onde são exercidas ou executadas por práticos treinados assistematicamente e repassados de geração em geração não estando vinculados a qualquer categoria profissional; e, CONSIDERANDO deliberação do Plenário, em sua 254ª Reunião Ordinária, bem como o que consta do PAD-COFEN-247/91;
RESOLVE:
Art. 1º - Estabelecer e reconhecer as Terapias Alternativas como especialidade e/ou qualificação do profissional de Enfermagem.
Art. 2º - Para receber a titulação prevista no artigo anterior, o profissional de Enfermagem deverá ter concluído e sido aprovado em curso reconhecido por instituição de ensino ou entidade congênere, com uma carga horária mínima de 360 horas.
Art. 3º - A presente Resolução entrará em vigor na data de sua publicação, revogando-se as disposições em contrário.
Rio de Janeiro, 19 de março de 1997.
Gilberto Linhares Teixeira
COREN-RJ nº 2.380
Presidente Dulce Dirclair Huf Bais
COREN-MS nº 10.244
Primeira-Secretária.
ANEXO II – Resolução 261 de 12 de Julho de 2001.
RESOLUÇÃO COFEN-261/2001
Criado em 12/07/2001.
Fixa normas para registro de Enfermeiro, com pós-graduação.
O Conselho Federal de Enfermagem, no uso de sua competência estabelecida pelo Art. 2º, c.c. com o Art. 8º, incisos IV e X, todosda Lei nº 5.905, de 12 de julho de 1973, c.c. a Resolução COFEN-242/2000, em seu Art. 13, incisos IV, V, XV, XVII, XVIII e XLIX, cumprindo deliberação do Plenário em sua Reunião Ordinária nº 296; CONSIDERANDO a importância de normatizar o Registro do Enfermeiro portador de título de pós-graduação no âmbito do Sistema COFEN/CORENs;
RESOLVE:
Art. 1º - Instituir, no âmbito dos Conselhos de Enfermagem, o registro de pós-graduação a ser concedido aos profissionais Enfermeiros, inscritos no Sistema COFEN/CORENs, conforme estabelece a presente Resolução.
Art. 2º - O requerimento ao COFEN, para registro de pós-graduação e sua consequente anotação, será dirigido à Presidência do COFEN e, obrigatoriamente, encaminhado através do Conselho Regional competente.
Art. 3º - Após o registro do título de pós-graduação pelo COFEN, o COREN procederá a devida anotação na carteira profissional de identidade.
Art. 4º - São reconhecidos como cursos de pós-graduação aqueles desenvolvidos nos dois níveis: latu sensu (especialização) e stritu sensu (mestrado e doutorado), desde que observados os seguintes requisitos:
a) Ter carga horária mínima de 360 horas;
b) Ser oferecido por Instituição de Ensino Superior ou por Instituições especialmente credenciadas para atuarem neste nível educacional, incluindo aqueles oferecidos pelas Sociedades de Especialista, de acordo com legislação vigente (Resolução nº 01-CES/CNE de 3 de abril de 2001);
c) Ter reconhecimento do MEC, em se tratando de stritu sensu (mestrado e doutorado).
§ 1º - Os cursos oferecidos por Instituições conveniadas deverão apresentar junto ao COFEN, o comprovante do credenciamento pela entidade mantenedora.
§ 2º - Também serão reconhecidos Diplomas obtidos através de prova de títulos sob responsabilidade das Sociedades de Especialistas desde que:
a) A Sociedade tenha em seu estatuto, autorização para realização de prova objetivando a concessão da titulação;
b) A prova, prevista no item anterior, deve ser de alcance nacional, devendo haver publicação do Edital da mesma, em Jornal de grande circulação;
c) A Sociedade deverá efetuar o competente registro do Diploma, fazendo constar o respectivo carimbo da mesma;
d) O Enfermeiro deve ter, o mínimo de 03 anos de inscrição no Sistema COFEN/CORENs, e estar regular com sua situação profissional perante a Autarquia.
Art. 5º - A documentação necessária para avaliação pelo COFEN, visando a obtenção do título, deve conter no mínimo:
I - CURSO REGULAR:
a) Original do Diploma, onde conste o nº do Parecer Autorizativo da Instituição e do Curso;
b) O Histórico Escolar com disciplinas, nome do professor responsável e sua titulação, carga horária, monografia e avaliação do aluno.
II - PROVA DE TÍTULO: a) Diploma original oferecido pela Sociedade competente, com o nº do Registro sob controle da mesma; b) Cópia da publicação concernente ao Edital do Concurso.
Art. 6º - Os diplomas obtidos através de prova de título, cuja especialidade seja privativa da Enfermagem, deverão conter nos versos dos mesmos, a chancela da Academia Brasileira de Especialista em Enfermagem - ABESE.
Art. 7º - Os Diplomas obtidos através de títulos, concedidos por Sociedades Especializadas em áreas não privativas da Enfermagem, mas que possam ser praticadas pelo Enfermeiro, para competente registro no Sistema COFEN/CORENs, devem obedecer aos seguintes pré-requisitos:
§ 1º - A Sociedade deve estar cadastrada junto ao COFEN.
§ 2º - Para obter o cadastramento previsto no parágrafo anterior, a mesma deve encaminhar requerimento próprio ao COFEN, acompanhado dos seguintes documentos:
a) Cópia autenticada da Ata de sua constituição;
b) Documento autenticado, designando Cargos de Diretoria;
c) Cópia autenticada do CNPJ;
d) Cópia autenticada do Estatuto, devidamente registrado em Cartório.
Art. 8º - Os casos omissos serão resolvidos pelo Conselho Federal de Enfermagem.
Art. 9º - Esta Resolução entra em vigor na data em que for publicada, revogando disposições em contrário, em especial a Resolução COFEN nº 173/94.
Rio de Janeiro, 12 de julho de 2001.
Gilberto Linhares Teixeira
COREN-RJ Nº 2.380
Presidente João Aureliano Amorim de Sena
COREN-RN Nº 9.176
Primeiro-Secretário.
ANEXO III – Resolução 271 de 12 de Julho de 2002.
RESOLUÇÃO COFEN Nº 271/2001
O Conselho Federal de Enfermagem - COFEN, no uso de suas atribuições legais e regimentais;
CONSIDERANDO a Lei Federal nº 7.498/86, art. 8º, I, “e” e II, “c”; CONSIDERANDO o Decreto Presidencial nº 94.406/87, art. 8º, I, “e” e II, “c”; CONSIDERANDO a Lei Federal nº 9394/96, art. 9º, VII, § 1º; CONSIDERANDO a Resolução CNE/CES nº 03/2001, especialmente no art. 3º, I e II e art. 5º, VIII e XXII, publicada no DOU de 09/11/2001, seção 1, pág. 37; CONSIDERANDO o Deliberado na Reunião Ordinária do Plenário nº 304;
RESOLVE:
Art. 1º - É ação da Enfermagem, quando praticada pelo Enfermeiro, como integrante da equipe de saúde, a prescrição de medicamentos.
Art. 2º - Os limites legais, para a prática desta ação, são os Programas de Saúde Pública e rotinas que tenham sido aprovadas em Instituições de Saúde, pública ou privada.
Art. 3º - O Enfermeiro, quando no exercício da atividade capitulada no art. 1º, tem autonomia na escolha dos medicamentos e respectiva posologia, respondendo integralmente pelos atos praticados.
Art. 4º - Para assegurar o pleno exercício profissional, garantindo ao cliente/paciente, uma atenção isenta de risco, prudente e segura, na conduta prescricional/terapêutica, o Enfermeiro pode solicitar exames de rotina e complementares, conforme disposto na Resolução COFEN 195/97.
Art. 5º - O Enfermeiro pode receber o cliente/paciente, nos limites previstos do art 2º, para efetuar a consulta de Enfermagem, com o objetivo de conhecer/intervir, sobre os problemas/situações de saúde/doença.
Art. 6º - Em detrimento desta consulta, o Enfermeiro poderá diagnosticar e solucionar os problemas de saúde detectados, integrando às ações de Enfermagem, às ações multi-profissionais.
Art. 7º - Os currículos dos cursos de graduação de enfermagem devem, além de outros objetivos, preparar o acadêmico para esta realidade, já que é rotina na atualidade, a prática de tais ações, no mercado de trabalho.
Art. 8º - Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação, revogando disposições em contrário.
Rio de Janeiro, 12 de julho de 2002.
GILBERTO LINHARES TEIXEIRA
COREN-RJ Nº 2380
PRESIDENTE DO COFEN.
CARMEM DE ALMEIDA DA SILVA
COREN SP Nº 2254
PRIMEIRA SECRETÁRIA
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